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2017

Lêda Guimarães

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Poder da sexualidade feminina 1

Miller denominou os tempos atuais como feminização da contemporaneidade, já que os elementos da posição masculina, do quadro da sexuação de Lacan – o pai, os significantes mestres que representam o sujeito para outro significante e o falo – estão em declínio. Nesses tempos atuais o amor convém ser denominado como “amor líquido”, segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, o quer dizer que o amor atual é fluido, pouco consistente, facilmente descartável ao estilo de um simples toque na tecla “delete”. Convém, portanto, nos perguntarmos, a que interessa esse modo de amar?
Esse estilo de incursão no campo do amor – que consiste em tocar com as pontas dos dedos no mar de libido para retirá-los imediatamente antes que estejam molhados – convém muito precisamente às defesas obsessivas. Defesas que se ocupam de uma evitação do campo da angústia, a qual é interpretada pelas defesas obsessivas como angústia de castração. Desse modo, a falta estrutural que sustenta a dimensão do amor é evitada já que desperta a angústia, e assim as defesas obsessivas impedem o florescimento do apaixonamento.
Bem sabemos que tais defesas são comumente adotadas pelos homens, diferentemente das mulheres que tendem mais comumente para as defesas histéricas.
Porém, com o declínio do pai, verifico atualmente na minha prática psicanalítica a emergência de uma abertura histérica nos homens que convive com sua estrutura neurótica obsessiva, permitindo a esses homens um certo tipo de inclinação ao apaixonamento. Trata-se de um
modo de entregar-se à dimensão do amor que tende rapidamente para uma amortização da inflação de libido. São amores que já nascem com prazo de validade, para os quais o termo cunhado por Zygmunt Bauman, amor líquido, cai como uma luva.
Do lado das mulheres, o amor continua sendo um elemento privilegiado nas suas estruturas neuróticas. Bem sabemos desde Lacan que não há elementos no campo simbólico que digam o que é ser mulher. Desse modo, o amor se ergue como um meio fundamental para tentar estabelecer uma suplência, sempre falha, para a identidade de mulher. Desse modo, pela via do amor, as mulheres buscam encontrar um suporte de “ser”, estabelecendo uma equivalência entre “ser mulher” e “ser amada”.
Porém, as neuroses histéricas nas mulheres atuais tendem a conviver com fortes defesas obsessivas, já que o declínio dos significantes mestres reduziu a possibilidade da emergência do sujeito dividido, e desse modo, o Eu tende a imperar com suas argumentações “politicamente corretas”, erguendo um ideal de “ser mulher” pela via narcísica fálica, quer dizer: o ideal de uma mulher completa em suas várias competências. Este blá-blá-blá do Eu profere verdades que não demandam interpretação, de tal modo que o termo lacaniano “histeria rígida” ganhou notoriedade, já que se trata de histerias que prescindem da função do interpretante, melhor dizendo, elas mesmas, as mulheres, sustentam agora a função da voz que profere verdades sobre a subjetividade humana.
Os homens, por sua vez, passaram a se deparar com essas “mulheres poderosas”, o que faz com que suas defesas obsessivas interpretem as demandas das mulheres como imperativos inflexíveis e absolutos. Modo
de interpretação das demandas desde a perspectiva das defesas obsessivas que obliteram a dimensão da falta que subjaz à demanda, transformando dessa maneira a demanda em imperativo superegóico. Assim, além do amor líquido que os homens vêm cultivando, erguem-se também neles as mais variadas defesas diante dessas mulheres “avassaladoras”: violência entre parceiros, evitação do encontro com mulheres, práticas homossexuais, exacerbação da masturbação compulsória, inibição sexual generalizada, recolhimento na satisfação sublimatória resultando na adição ao trabalho, adição às drogas, etc... Quer dizer, retiram-se do mar da libido do apaixonamento e entregam-se às satisfações compulsórias que ampliam os imperativos superegóicos da pulsão de morte.
Do lado das mulheres, o encontro repetitivo com a falência do amor vem promovendo a ampliação de estados depressivos aditivados de psicofármacos.
É importante considerar também um fator de especial importância que se impõe nessa época do “amor líquido”. Trata-se da sexualidade das mulheres que ganhou um novo estatuto que se impõe sobre o declínio do pai. O feminismo estabeleceu suas raízes na sociedade de modo inequívoco e sem retrocesso. As mulheres não apenas ganham cada vez mais poder social, mas, fundamentalmente, ganham um poder na prática sexual, diante das quais os homens convocados a responder tendem a se recolher nas defesas que contém o impulso de se deixar mergulhar no mar de libido.
Lacan já havia levantado algumas questões, em ‘Diretrizes para um congresso sobre a sexualidade feminina’, sobre as incidências sociais da sexualidade feminina. Seguindo nesta mesma linha de questionamento, pergunto: a sexualidade feminina vem se impondo para os homens como um desafio quase intransponível, para fazer a redução de libido do seu traço fetichista fantasmático?

1- Trabalho apresentado na Preparatória para o VII Enapol, sub-eixo: A função do amor nos tempos do empuxo ao gozo, EBP-Rio, 21/ago/2015.
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